Ana Carolina Martins da Silva. Educadora. Ambientalista. Poetisa. Ativista Social. Bonequeira.

Preciso registrar, ainda que com atraso, meu impacto e minha emoção, ao assistir a peça: Apaga a Luz e Faz de Conta que Estamos Bêbados, de Ronald Radde, interpretada pela Cia Grutta Teatral (Rio de Janeiro). Linn Falcão e Michael Alves atuam e dirigem o espetáculo.  Estive no dia 16 de abril de 2016, no Teatro Novo DC, Sala Carmem Silva, em Porto Alegre, junto com o jornalista Editor da Revista de Turismo Programa, Ayres Cerutti. Em lágrimas, vi a mim em Linn Falcão, rua à fora!

Material de Divulgação

Apaga a luz e faz de conta que estamos bêbados

Ayres Cerutti

Ayres Cerutti e o Cartaz de “Apaga a Luz” – do Radde – no Teatro Novo

O argumento de Radde se refere à opressão do sistema em cima das singularidades e me atingiu em cheio. A peça, censurada pela Ditadura Militar, revela os conflitos de um homem e de uma mulher, na luta pela sobrevivência física, mental e espiritual, em tempos de solidão e de exceção. Os atores mergulham num universo de revelações de suas verdades mais escondidas e, nelas, começam a encontrar suas próprias humanidades perdidas.

No site do DC, em entrevista à Daniel Anillo, Michael Alves, ao comentar sobre Ronald Radde, o diretor e ator, disse:  “Os textos de Ronald Radde dialogam diretamente com a linguagem artística do grupo”. Para a atriz e diretora Linn Falcão: “É um autor que transcende todas as barreiras do tempo, adaptando-se a qualquer recorte temporal, como conflito em comum, mesmo se tratando de tempos diferentes, pois fala da natureza humana, assunto inesgotável, de discussão aberta e infinita, à medida que a existência, a solidão e a liberdade são fatos ainda muito complexos entre os seres humanos”.

No canal de Linn Falcão no youtube, além da palhinha da peça, encontrei uma pérola> uma entrevista de Ronald Radde.

Segundo Anillo, a Peça “Apaga a Luz e Faz de Conta que Estamos Bêbados” foi montada pela primeira vez nos palcos do Theatro São Pedro, em 1972, tornando-se um sucesso de bilheteria, antes de ser censurada pelos mecanismos repressores da Ditadura Militar.

Enquanto monto este post, a Rádio FM Cultura dá a notícia do falecimento de Ronald Radde. Luto total.

Para ele, resgato um poe-meu:

A lírica da solidão

Coloco minha noite nas lâminas de microscopia.

Vejo nela o peso/preço de todos os seres que

Constituem o Universo.

Não queria ser assim,

Queria me ver no antigo  azul de metileno,

Repleta de imagens idênticas, imutáveis, comuns.

Queria me ver

sem particularização animal,

sem sensação de receio e de apreensão.

Queria ser aquilo com que se dá por encerrado,

Solução.

Queria ser um eu mais simplificado,

sem mágoa – sem aflição.

Queria não ser uma coisa quebradiça, frágil.

Eu queria a comodidade das certezas.

Mas não nasci para ser assim.

Sou o topo da montanha,

Sou a raiz mais profunda,

Sou o prisma,

Sou o plasma,

Sou a divisão das águas

Entre o que queria

E o que consigo ser.

Sou estratagema,

Sou ganho.

Sou perda.

Sou piracema.

Foi assim que nasci…

Ana Carolina

Exposição no Santander Cultural/POA de 30/3 a 30/4 – Letícia Lopes / Presença Sinistra.

 

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Comentários em: "Apaga a luz e faz de conta que estamos bêbados" (4)

  1. Ficamos muito emocionados com suas lindas palavras. Esperamos levar adiante o legado de Ronald Radde e continuar emocionando a todos como ele muito bem sabia fazer. Obrigado em nome de toda a Cia. Teatro Novo DC.

    • Obrigada.
      Foi um momento muito emocionante para mim – também. Eu tinha de atualizar o blog e o folder da peça estava sobre a mesa, como próxima publicação. comecei a escrever e procurar material na internet. Achei o vídeo no youtube e – estava ouvindo a fala do Ronald – quando deu na rádio a notícia da morte dele. Foi um choque. Impressionante. Acredito que vocês tocarão o teatro e as ideias em frente – ele merece – o Teatro merece. Grande abraço! AC

  2. Linda poesia Aninha. Natureza pura, pois percebi a inserção dos quatro elementos fundamentais Terra, Ar, fogo e água que compõe nosso corpo físico também. Um partícula do Universo, mas que vivencia e evidencia o TODO. Parabéns!

  3. Oi, obrigada! Volte sempre!!

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