Ana Carolina Martins da Silva. Educadora. Ambientalista. Poetisa. Ativista Social. Bonequeira.

O Programa de Doutorado em Letras (PDLet UCS/UniRitter) recebeu na sexta-feira, dia 31/03/2017, no turno da manhã, a tradutora italiana Jessica Falconi. A pesquisadora é uma, dentre os tradutores estrangeiros de literatura brasileira selecionados como bolsistas do Programa de Residência 2016 da Fundação Biblioteca Nacional. Falconi, que tem trajetória acadêmica na área da Tradução, Língua Portuguesa e Literatura, exerceu a docência na Universidade de Nápoles “L’Orientale”, onde também alcançou o título de Doutora em Estudos Ibéricos, veio ao Brasil para traduzir para o italiano a obra “Hotel Atlântico”, de João Gilberto Noll.

Na abertura, depois das saudações, a profa. Rejane Pivetta, Coordenadora do Programa de Doutorado em Letras (PDLet UCS/UniRitter), campus UniRitter, salientou a importância do entendimento sobre este tipo de olhar sobre os textos – a tradução; sobre a importância do escritor Noll e sobre o privilégio que o Programa estava tendo em receber a Pesquisadora Falconi neste momento.

Profa. Rejane Pivetta UniRitter

A Coordenadora presentou um breve trecho de vídeo, onde o autor fala sobre si e sua obra. No youtube, há inúmeros vídeos com registros sobre este autor. Separei o seguinte:

Em Porto Alegre, a tradutora italiana tinha um encontro marcado: o primeiro – com Noll. Por uma pressa desnecessária do destino, este autor premiado e de destaque da nossa literatura sul-rio-grandense e nacional, faleceu no dia anterior à sua chegada à capital. Ainda abalada pela perda, Falconi permaneceu em Porto Alegre para conhecer os lugares dos quais Noll lhe falava: Praça da Alfândega, Mercado Público, espaços que, segundo ele, eram o seu repositório de histórias e de personagens. “Foi uma emoção muito grande chegar na Praça da Alfândega e pensar que ele não estaria ali”, disse Jéssica, no encontro com os mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-Graduação da UniRitter.

Capas Hotel Atlântico João Gilberto Noll

Para além de seus sentimentos, ela fez algumas considerações sobre Tradução. Traçou um paralelo sobre diferentes tipos e diferentes correntes, dentre as quais, destacou a que se ocupa de aspectos culturalistas das obras, na qual a necessidade de negociação de sentidos, elimina um pouco a necessidade da equivalência estreita de palavra por palavra. Este tipo de tradução supera a ideia de que o texto original é “sagrado” e que o tradutor precisa passar por ele, de forma invisível Ao contrário, este coloca o tradutor numa espécie de co-autoria, fazendo novamente uma seleção de palavras que transponham, para outra realidade cultural, não a mesma coisa, mas o mesmo espírito cultural, a mesma “vibe”, como se diz atualmente. Ressaltou que, antes deste modo de traduzir, havia uma espécie de “domesticação”, pois o tradutor pegava o conteúdo alheio e o tornava aceitável em outra língua.  “A tradução não traduz palavras, mas sim o texto. O equilíbrio que o autor cria no texto. É uma espécie de interpretação.” Disse Jéssica. Traduzir, neste caso, não seria trair – famosa concepção de tradução. Traduzir seria traduzir-se. Conclusão minha, disto tudo.

Na continuidade de suas falas, apresentou João Gilberto Noll, situou sua obra na Literatura brasileira dos anos 80. Comentou o estranhamento sobre o fato de, apesar de ser um autor extremamente premiado, um representante de nossos tempos líquidos e flutuantes, não era de conhecimento do grande público. Separou algumas das traduções já efetuadas, de páginas do Hotel Atlântico, e foi explicando suas escolhas e a construção da tradução.

Mais sobre o autor, clique aqui.

Foi um momento extremamente rico, e densamente emocionante. Seguido de observações dos presentes, ora sobre tradução; ora sobre Noll; ora sobre a complexidade e a finitude da vida humana. Profa. Dinorá Fraga, docente da Cadeira: “Cultura digital e práticas de Leitura”, do doutorado de Letras, comentou sobre sua amizade com o autor, a sua timidez, a sua qualidade como pessoa e como amigo. Mostrou-se muito tocada com sua partida e julgou fundamental para nós, pos-graduandos, estarmos em contato com a sua obra e com a presença da sua tradutora para o italiano.

Profa. Dinora Fraga UniRitter

Jessica Falconi nasceu em Nápoles, em 1977 e, além de João Gilberto Noll, traduziu outros autores, tais como: Lima Barreto, Franklin Távora, Manuel Antônio de Almeida, Milton Santos, Irene Lisboa, Raúl Brandão. Clique aqui para saber mais.

O Programa de Doutorado em Letras (PDLet UCS/UniRitter) é oferecido na modalidade de Associação Ampla, entre UniRitter e UCS, que trabalham de forma articulada na promoção e aprimoramento das atividades de pesquisa, ensino e extensão vinculadas à sua área.

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Comentários em: "Hotel Atlântico de J.G. Noll e Jessica Falconi: quando traduzir é traduzir-se." (2)

  1. Luyma Johnson disse:

    Maravilha literária.bj😃

  2. Parabéns Ana Carolina! Matéria belíssima,adorei ver a Profª. Drª. Dinorá Fraga

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