Ana Carolina Martins da Silva. Educadora. Ambientalista. Poetisa. Bonequeira.

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Recordar é viver – atualíssimo Machado de Assis!

Bom dia a todos e a todas! Enquanto preparo o ano letivo para a Uergs e abro caixas e mais caixas no apartamento novo na cidade nova, vou fazendo um “vídeo-show” campeiro por aqui. Reconduzo um Registro em vídeo da entrevista que dei sobre Esaú e Jacó de Machado de Assis. Essa entrevista foi Parte integrante do conjunto de 8 entrevistas com especialistas da área da Leitura e da Literatura, sobre obras da Bibliografia exigida pelo processo seletivo de vestibular da UFRGS/2015, que também selecionava acadêmicos para o Curso Ciências Biológicas do convênio UERGS/UFRGS. Aqui estou sendo entrevistada pelo então diretor da Rádio Comunitária Momento FM, 98.1, o jornalista Omar Batista Luz.

A Data da veiculação desse estudo, em forma de Programa de Rádio, na Rádio Comunitária Momento FM, 98.1 de Osório/RS foi 27/11/2014 das 18h às 19h. O Projeto de Extensão “Biblioteca no Rádio e na Rede” foi uma parceria entre a Pós Graduação em Teoria e Prática da Formação do Leitor (Uergs/Porto Alegre), a Unidade no Litoral Norte – Osório, a Rádio Momento FM 98.1 e a Biblioteca Pública Municipal Fernandes Bastos de Osório/RS. Vinheta: Ivan Therra e Lizzi Barboza. Imagens (algumas da WEB) outras próprias da equipe do Programa. Fiz a Edição e o Áudio: auxiliada pela Equipe da Rádio Momento FM 98.1 – Osório/RS em 2014.

21 de junho – Aniversário do Machado de Assis

Qual Machado de Assis?

Este.

MACHADO DE ASSIS –

 

Projeto de Extensão “Biblioteca no Rádio e na Rede”: Todos os links.

Todos os links

O Projeto de Extensão “Biblioteca no Rádio e na Rede” é uma parceria entre a Pós Graduação em Teoria e Prática da Formação do Leitor (Uergs/Porto Alegre), a Unidade no Litoral Norte – Osório, a Rádio Momento FM 98.1 e a Biblioteca Pública Municipal Fernandes Bastos de Osório/RS.

Entrevistas com especialistas da área da Leitura e da Literatura, sobre obras da Bibliografia exigida pelo processo seletivo de vestibular da UFRGS/2015, que também seleciona acadêmicos para o Curso Ciências Biológicas do convênio UERGS/UFRGS. Gravadas durante o mês de novembro e veiculadas entre 24/11/2014 a 28/11/2014, durante a 29ª Feira do Livro de Osório RS.

CRÉDITOS

Vinheta: Ivan Therra e Lizzi Barboza. Imagens (algumas da WEB) outras próprias da equipe do Programa. Edição e Áudio: Profa. Ana Carolina Martins da Silva e Equipe da Rádio Momento FM 98.1 – Osório/RS. 2014 – Sonorização dos Programas: Diego Oliveira – Técnico de Áudio da Rádio Momento FM 98.1.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Omar Batista Luz – Rádio Momento FM 98.1 Osório – RS

Registro em vídeo de entrevistas de Omar Batista Luz (Diretor da Rádio Momento FM 98.1) sobre “A importância das Rádios Comunitárias para a Cultura Local”. Em Destaque: Diego Oliveira – Técnico de Audio da Rádio Momento FM 98.1.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Rosane Hammel e a Biblioteca Pública Municipal Fernandes Bastos

Registro em vídeo da entrevista para Rádio da Bibliotecária Rosane Hammel sobre a Biblioteca Pública Municipal Fernandes Bastos, de Osório/RS.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Ana Carolina M. S. e Machado de Assis: Esaú e Jacó

Registro em vídeo da entrevista para Rádio da Profa. Ana Carolina Martins da Silva sobre Esaú e Jacó de Machado de Assis.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Tânia Maria Tassinari Gabbi, “As Parceiras” de Lya Luft

Registro em vídeo da entrevista para Rádio da Profa. Tânia Maria Tassinari Gabbi sobre “As Parceiras” de Lya Luft.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Naura Martins e “O amor de Pedro por João” de Tabajara Ruas

Registro em vídeo da entrevista para Rádio da Profa. Naura Martins sobre “O amor de Pedro por João” de Tabajara Ruas.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Olívia Barros e Murilo Rubião: CONTOS

Registro em vídeo da entrevista para Rádio da Profa. Olívia Barros de Freitas sobre os Contos de MURILO RUBIÃO.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Solano Reis e “Dançar tango em Porto Alegre” de Sérgio Faraco

Registro em vídeo da entrevista para Rádio do Prof. Biblioteca no Rádio e na Rede: Solano Reis e “Dançar tango em Porto Alegre” de Sérgio Faraco.

Biblioteca no Rádio e na Rede:Terezinha Marques e Alberto Caeiro “O guardador de Rebanhos”

Registro em vídeo da entrevista para Rádio da Profa. Terezinha Marques sobre “O guardador de Rebanhos” de Alberto Caeiro.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Cacilda Madalena e “Seleta” de Gregório de Matos Guerra

Registro em vídeo da entrevista para Rádio da Profa. Cacilda Madalena sobre a Seleta de Gregório de Matos Guerra.

Biblioteca no Rádio e na Rede: Guto Leite: Tropicalia ou panis et circensis Cópia

Registro em vídeo da entrevista para Rádio do Prof. Dr. Guto Leite, sobre o Álbum: Tropicalia ou panis et circenses (CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL, MUTANTES e outros).

para o blog

 

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Hoje – Machado de Assis no Rádio e na Rede! Imperdível!

Hoje Machado de Assis no Rádio e na WEB

Luís Augusto Fischer e o outro lado da “Versão Facilitada” de Machado de Assis

Vale a pena conferir “A polêmica sobre a versão “facilitada” de Machado de Assis”, texto de Luís Augusto Fischer, no ClicRBS do dia 17/05/2014, publicado às 16h05, e acessado por este blog às 22:43.  Segundo ele:  “Para jovens leitores ou adultos com pouca escolaridade, há uma grande diferença entre o desafio saudável de leitura e a barreira intransponível.”

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Visto isso, é claro que sou favorável às adaptações, em regra. Sei que nunca se deve oferecer ao aluno, em qualquer nível, apenas aquilo que ele já conhece – e nisso me oponho a toda uma perspectiva que quer reduzir o repertório das aulas ao mundo já vivido pelo aluno, que deve ser apenas e tão-somente o ponto de partida da conversa. Sei também que se deve ajudar o aluno a inventar seu próprio caminho de aprendizado, por exemplo ensinando a usar o dicionário. Mas há uma diferença entre desafio saudável e barreira intransponível. Aqui entra em cena a adaptação.

Assim, meu ok total para a passagem de um conto para a narrativa em quadrinhos, de um romance para um longa-metragem, o aproveitamento de um poema para uma melodia. Mas também outras formas de adaptação: escritura em forma de conto de um texto originalmente concebido para teatro – tal é um caso clássico, os Contos de Shakespeare, livro publicado por Charles e Mary Lamb em 1807, contendo adaptações de clássicos como Romeu e Julieta ou Hamlet. Ou outro caso bem conhecido para os iniciados: edição em prosa dos clássicos homéricos, Ilíada e Odisseia, escritos ambos em versos.

Em sentido mais remoto mas ainda pertinente ao tema, toda tradução é uma adaptação. Por mais próximas que sejam duas línguas, sempre ocorre algum tipo de concessão, de negociação, de mudança entre o original e o traduzido, alterações que são tanto maiores e mais profundas quanto mais inventiva seja a linguagem do original: poemas experimentais traduzidos perdem muito mais na tradução do que romances convencionais.

Fischer ressalva que a “facilitação”  deve ser analisada sob a ótica da Formação de Leitores. O Professor da UFRGS diz que:

O caso momentoso tem a ver com isso tudo? Sim, em tese trata-se de adaptar o texto, simplificando-o, para formar leitores, que com toda certeza deve ser a baliza magna da conversa toda. A novela satírica de Machado de Assis e o romance açucarado de Alencar são cabíveis para adaptação? Sim. Se se tratasse de uma tentativa de recontar Grande Sertão: Veredas em linguagem simplificada, estaríamos diante de outro caso, porque aqui o trabalho da linguagem está no centro de interesse da obra.

Clique aqui e confira o texto do prof. Fischer na íntegra, inclusive sua opinião sobre a obra “facilitada”.

O alienista Machado de Assis

Salvador Dali, Machado de Assis e a Memória: a amputação da diversidade.

Salvador Dali, Machado de Assis e a Memória: a amputação da diversidade.

Ana Carolina Martins da Silva

Profa. Me. UERGS

“O sentimento dessas relações peculiares, e são peculiares, é um sentimento de país. As pessoas que entendem as peculiaridades das relações sociais brasileiras, são diferentes, se inserem de maneira diferente no país, das pessoas que não entendem, que tem uma visão universalista do país, quer dizer, as pessoas que dizem que o país é igual a todos os outros, porque é preciso reconhecer que os países não são iguais e os sistemas de relações sociais, não são iguais em todos os países, e quando nós dizemos que isso não existe, nós estamos nos amputando de um registro, de um aspecto muito importante da sociedade contemporânea que é a sua diversidade.”

Intervenção de Roberto Schwarz no Simpósio “Caminhos Cruzados: Machado de Assis pela Crítica Mundial”, dia 26 de agosto de 2008, após palestra de Abel Barros Baptista na mesa-redonda “Machado de Assis: nacional e universal”. Postado em vídeo no youtube por http://criticadialetica.blogspot.com.br/

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Resgato esse fragmento da fala de Roberto Schwarz no Simpósio “Caminhos Cruzados/2008” porque nesse ponto, ele abordava uma expressão do Machado de Assis muito debatida e investigada até nossos dias. Machado de Assis teria dito que, mais do que falar de coisas concretas do Brasil, para escrever como brasileiro, era essencial ter um “sentimento íntimo de país”. Pode haver algo mais lindo do que prenunciar “sentimentos” entre uma pessoa e um pedaço de terra, mais ainda, entre uma pessoa e um pedaço de terra, que congrega pessoas com um contrato social estabelecido em lei, um modo de viver, língua, arte, religião – diversos – tornados pela convivência típica – únicos e, portanto, interpretados como um país? Sim, há algo mais lindo. O mais lindo é classificar esse sentimento de “íntimo”.  Íntimo como nossas roupas no nosso roupeiro, íntimo como o calor debaixo de nossas cobertas, íntimo como nossos amores mais secretos, íntimo como nossos fluídos mais preservados.  “Um sentimento íntimo de país” é uma expressão montada, construída, elaborada, organizada em linguagem, em palavras selecionadas por um grande escritor.  Como classificaríamos esse sentimento, se fôssemos substituir a palavra “íntimo”?

Pois é. Essa substituição lexical de impossível equivalência histórica está sendo feita em outras escolhas de palavras de Machado de Assis.  A decisão da escritora Patrícia Secco de mudar a linguagem de obras de Machado de Assis para torná-las populares, “facilitar suas leituras”, segundo ela, tem causado debates e fru-frus de saias.

Secco disse à Folha de São Paulo (Coluna Cidadona/Chico Felitti – em 04/05/2014) que “Entende por que os jovens não gostam de Machado de Assis”. Disse também que, no intuito de simplificar “isso” – por “isso” entende-se a linguagem de Machado de Assis – ela troca palavras como “sagacidade” por “esperteza”, por exemplo. Ora, como o próprio escritor não pensou nisso? Como ele não teve essa percepção de que “esperteza” parece ser uma palavra “fácil”. Os jovens de hoje, os quais jamais poderão ser colocados “no mesmo saco” porque são pluri-multi-hiper-super-diversos em linguagem, talvez prefiram a palavra “ginga”, talvez prefiram a palavra “maneirice”, talvez “manha”, talvez “pilhado”, talvez “truta”, depende da tribo, da região, do ponto de encontro, da turma, da gíria. Como cantam os Racionais Mcs, em Negro Drama: “Gíria não, dialeto”.

Como seria facilitar Brás Cubas para os jovens que gostam e falam no estilo do Rap? Brás Cubas poderia falar assim:

Guerreiro, poeta entre o tempo e a memória

Nessa história vejo o dólar e vários quilates

Falo pro mano que não morra e também não mate

O “Tic-Tac” não espera, veja o ponteiro

Essa estrada é venenosa e cheia de morteiro

Pesadelo? é um elogio

Pra quem vive na guerra a paz nunca existiu

No clima quente a minha gente soa frio

Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil

Para os jovens que gostam e falam no estilo gauchesco, como muitos no interior do RS?  Talvez a escritora deva usar termos típicos, como usa Mano Lima. Bentinho, ao invés de pensar em “Capitu/Olhos de ressaca” teria de pensar naquela “coisinha que atenta os home”.

Aqui espero a resposta, coisinha que atenta os home

Por causa da tua ausência eu não vou morrer de fome

No biete tu me diz se não tá amando outro

Que aí no mais eu já vejo

Como é que eu tô neste corpo.

Ora, me parece inconcebível transformar um Sujeito como Machado de Assis em Objeto. Diferente de quando ele é transformado em objeto de estudo, esse projeto vai transformá-lo em objeto/coisa, mudando suas escolhas, mudando seu vocabulário, num momento em que ele não pode se defender! É o aviltamento de uma das figuras mais sólidas da arte brasileira. É um desconhecimento do que a linguagem significa para uma pessoa. Sua linguagem é o que ela é, é como vê o mundo, são suas escolhas, sua face. Caso Patrícia realmente entendesse os porquês dos jovens, saberia que os jovens, assim como o Machado de Assis, não são objetos/coisas. Eles são sujeitos, podem falar por si mesmos. Eles têm suas escolhas. Por que não passar para eles o original do Machado e lhes pedir que o reescrevam em sua própria linguagem? Em seu dialeto? Então, estariam sujeito e sujeito, um diante do outro, dialogando. Os jovens teriam de entender palavras e obras para fazer as mudanças nas palavras, eles teriam de ir ao dicionário, teriam de estudar a época. Teriam de saber que “sagacidade”, dependendo do uso, pode parecer um elogio e “esperteza” pode ser uma acusação. Quantas coisas poderiam aprender com Machado de Assis, se estivessem com ele? Com ele mesmo? Claro, todo o artista tem liberdade de criar. Uma pessoa bem intencionada pode ter a ideia que quiser, isso é particular, mas pelo que está posto por essa escritora, sua “releitura” de “O alienista” estará sendo distribuída em junho, numa tiragem de 600 mil exemplares, de graça, pelo Instituto Brasil Leitor. 600 mil pessoas alijadas de Machado de Assis! Como pode isso, não se tem uma lei que possa proteger os mortos desse tipo de pilhagem no/do Brasil?

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Aliás, onde está o Brasil? Onde ficará a memória do Brasil em construção se uma pessoa não pode deixar sua obra, como um quadro, impregnado de seu pigmento preferido, de sua saliva, de seu suor como memória do que foi, como memória de uma época? Como um retrato? A quem interessa o apagamento da memória das reflexões brasileiras? A quem interessa “vender gato por lebre”?

Segundo dados do site oficial do IBL  constam no seu estatuto os seus princípios de orientação geral. A saber

“desenvolver projetos apoiados nas instituições de massa, em especial a escola, para expandir o uso e a familiaridade com os livros, jornais, revistas e computadores entre jovens, crianças, famílias e professores, em especial os das grandes periferias, abandonadas à barbárie da urbanização selvagem”.

Vale a pena ligar algumas palavras com um fio: “instituições de massa (escola), grandes periferias, barbárie da urbanização selvagem.” Quando se lê estes termos, se tem a sensação de que sua união revela um emissor ligado às causas sociais e de salvação da humanidade, que olha de longe aquele de quem fala. Quer salvar de cima para baixo, quer ser salvador de um – que está posto como “um outro.”  Na sequência da definição de sua Missão, novos dados paradoxais se revelam:

“O IBL tem como objetivo criar as bases da nova sociedade da informação (a qual não deve ser confundida com a sociedade da informática) entre os marginalizados do novo apartheid, o apartheid da informação, fonte primária desta nova barbárie. Os objetivos do IBL presumem um relacionamento íntimo e constante com toda a iniciativa privada (grandes, médias e pequenas empresas) com pessoas físicas, instituições oficiais e internacionais.”

A contradição é flagrante: como criar bases para a “nova sociedade” entre os “marginalizados do novo apartheid da informação” (…) “desta nova barbárie”, presumindo um relacionamento íntimo e constante com toda a “iniciativa privada”??? Estaria a palavra “íntimo” se apresentando com o mesmo significado de laço visceral que aparece na definição de “brasileiro” de Machado de Assis? Então, um Instituto que promove a leitura não tem ideia de que a “iniciativa privada” é quem assina o termo de responsabilidade pela “urbanização selvagem” e pelos mais diversos tipos de apartheids no mundo inteiro? Aponta as consequências, mas se torna “íntimo” de seu causador? Seria ingenuidade de um Instituto dessa estatura, que financia a impressão de 600 mil exemplares de uma fraude literária da dimensão desta, ao substituir o vocabulário do Machado de Assis pelo vocabulário de “um monte de gente”, como declarou a atual co-autora do Alienista para a Folha?

Novas estratégias para velhas atitudes. Incluir para excluir. Facilitando a leitura de literatura, inclui a pessoa no circuito do comércio dos livros, mas a exclui da identidade e da emancipação. Tira dela a função de sujeito e lhe dá a função de coisa. Voltamos ao velho esquema do “emissor” e do “receptor”. Educação Bancária, diria, Paulo Freire. Será mais ou menos como pegar a obra de Salvador Dali: “A persistência da Memória” e fazer uma “releitura”, endireitando-lhe os relógios para que ela fique mais palatável e não tão estranha aos olhos. Talvez, com um pouco de sorte, se possa acertar as horas.

A persistência da Memória

Quando falamos em línguas indígenas, falamos com pesar pela quantidade enorme de línguas que se tornaram ou estão se tornando extintas. Qualquer pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode certificar isso, dos que se declaram índios poucos são os que ainda falam a língua de sua etnia, muitos já não vivem em seus locais de origem, perderam seu espaço, parte de sua expressão, e ninguém pode negar, com isso, parte de sua identidade.  Falando sobre nós, que não somos nativos puros, que não somos negros puros, que não somos brancos puros, que não temos uma “pátria saudosa para voltar”, sobre nós, os brasileiros, que estamos no nosso lugar, onde, senão em nossa literatura, das diferentes e das mais variadas feições e épocas, onde, vamos nos encontrar?

Sei que há muitos que concordam que, mantendo o conteúdo e fazendo apenas uma adaptação na linguagem, através da substituição de palavras, a obra não vai perder a maestria. Sei também que há os que acreditam mesmo que é preciso simplificar para massificar, entretanto, em termos de humanidade, nós, os esquisitos, estamos cada vez mais em busca do significado das diferenças, do prazer dos desafios, do novo, por estar em movimento e ser inusitado, e do velho, por ser velho e por estar parado. Deixem o Machado de Assis a sós com seus leitores. Deixem que ele fale como escolheu, que se apresente como quis. Deixem que ele continue sendo ele mesmo. Machado de Assis é sujeito, não objeto/coisa. A arte, senhores e senhoras, era o seu emprego e ele, nosso Universo.